quinta-feira, julho 18

Cresce uso de narguilé e cigarro eletrônico entre jovens

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Embora o consumo de cigarros tradicionais entre os jovens esteja diminuindo, o uso de outras formas de fumo vem aumentando, como narguilé e cigarro eletrônico. Tratados como menos nocivos, eles podem impor danos semelhantes, ou até piores, do que o cigarro comum.

“Não há quantidade segura. Ter menos efeito nocivo não significa que estes efeitos não existam. Estes dois produtos podem causar doenças crônicas. Há riscos de vício e do desenvolvimento de várias doenças relacionadas ao uso como, por exemplo, doenças pulmonares (enfisema), vasculares (infarto) e neoplásicas (câncer do pulmão)”, alerta o médico pneumologista de Pouso Alegre Dr. José Renato de Melo.

Dr. José Renato NARGUILÉ
O pneumologista de Pouso Alegre, Dr. José Renato de Melo, alerta para os perigos do uso do narguilé e do cigarro eletrônico

O Narguilé

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Narguilé é um cachimbo usado para fumar. A característica do utensílio é que a fumaça passa pela água antes de ser aspirada pelo fumante. A pasta tabaco fumada no narguilé, com sabor adocicado e aroma agradável, pode ser responsável pela perpetuação do senso comum de que seu uso é menos danoso à saúde. Mas a presença de nicotina pode levar o usuário a criar dependência química. E diferentemente do que é dito por quem usa e por quem comercializa, o filtro de água do narguilé não tem nenhum efeito de diminuição dos malefícios.

“Os efeitos do narguilé são muito nocivos. Dependendo da ‘sessão’ que o indivíduo fuma pode corresponder a até 100 cigarros comuns”, informa Dr. José Renato.

Na última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) disponível, de 2015, mais de 212 mil brasileiros maiores de 18 anos admitiram usar narguilé. Tendo como base os cinco últimos anos anteriores à pesquisa, o uso entre homens fumantes (entre 18 e 24 anos), mais que dobrou, passando de 2,3% para 5,5%.

O compartilhamento do narguilé, algo que pode ser considerado uma atrativo para os jovens, também é um fator que preocupa segundo o médico. “Há riscos de transmissão de doenças infectocontagiosas”, alerta. Entre elas, herpes, hepatite C e tuberculose.

O cigarro eletrônico

O cigarro eletrônico é um dispositivo que produz vapor inalável a partir do aquecimento da nicotina líquida e não contém monóxido de carbono em sua composição como o cigarro tradicional.

“Embora seja propagado como um ‘tipo de cigarro que não faz mal’, isso não corresponde à realidade. Também faz mal e pode causar o vício”, destaca Dr. José Renato.

Mesmo tendo venda proibida no Brasil, os cigarros eletrônicos são comercializados livremente em sites de compra na internet e também pelo Facebook onde o produto é oferecido sem qualquer restrição.

Com o crescimento desse produto no mercado mundial e com as grandes empresas de cigarros convencionais aderindo aos cigarros eletrônicos, há uma pressão em cima da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para que a venda do produto seja liberada no Brasil.

Para Dr. José Renato a proibição da venda do cigarro eletrônico deve ser mantida. “Temos que proteger nossa população de um mal devastador. O cigarro eletrônico um facilitador da ‘experimentação’ e consequentemente sua liberação aumentaria o número de tabagistas. Se houver a liberação deste tipo de cigarro será um grande retrocesso em termos de saúde pública preventiva”, opina.

Eliana Silva

Jornalista Responsável em Jornal Domingo
Formada em Jornalismo pela Univás (Universidade do Vale do Sapucaí) e pós-graduada em Gestão da Comunicação Empresarial pela FAI (Centro Superior em Gestão, Tecnologia e Educação).
Eliana Silva

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