quinta-feira, julho 18

Você tem o hábito de roer unhas? Atenção!

roer unhas

Se você respondeu “Sim” a esta pergunta, fique atento! O desejo incontrolável de roer unhas, com repetição excessiva e desnecessária, é sinal de alerta de que algo vai mal. Este hábito compulsivo, chamado também de Onicofagia, afeta de 20 a 30% da população, com maior incidência entre as mulheres.

“Isso tem que ser olhado com atenção, pois quem apresenta algum comportamento compulsivo, como a onicofagia, geralmente está tentando compensar um estresse, afastar uma ameaça, eliminar a ansiedade ou até mesmo obter prazer e satisfação. Muitas vezes este hábito está também relacionado com outras doenças psiquiátricas que nem sempre são diagnosticadas”, alerta a neuropsicóloga de Pouso Alegre Thaís Muniz Ferreira de Godoy.

Quem tem o hábito de roer unhas sabe que é difícil deixar a mania de lado. E geralmente a pessoa nem tem consciência do que está fazendo, pois se torna um ato automático.

“As pessoas não se dão conta do que estão fazendo até que alguém as faz notar ou até se machucarem. Quem padece de onicofagia está acostumado a roer as unhas e relaciona certas atividades com esse hábito, como, por exemplo, ver televisão, ler, falar, o que dificulta mais ainda abandoná-lo”, lembra a neuropsicóloga.

Muitos recorrem a truques caseiros como passar pimenta nos dedos, dentre outros, para tentar parar de roer as unhas.  Porém, isso de nada adianta, já que são soluções apenas momentâneas que não atingem a causa do problema. Vale sim manter as unhas curtas e lixadas, mas o importante mesmo é atacar a causa do problema. Ou seja, buscar ajuda profissional.

roer unhas thais muniz
“Quem apresenta algum comportamento compulsivo, como a onicofagia, geralmente está tentando compensar um estresse, afastar uma ameaça, eliminar a ansiedade”, comenta a neuropsicóloga Thaís Muniz.

Tratamentos disponíveis

De acordo com Thaís Muniz o tratamento deste distúrbio passa pelo recurso da psicoterapia, no sentido de ajudar a descobrir a origem da ansiedade e a lidar com ela, entender a compulsão e enfrentá-la, e identificar a motivação para o tratamento.

“É importante definir quais as consequências que o comportamento tem para o indivíduo, de forma a motivá-lo a abandonar o hábito. Podem também ser úteis exercícios de relaxamento, com o objetivo de diminuir a ansiedade e o mal-estar associado”, recomenda.

Quando não se consegue encontrar a fonte do stress ou ansiedade, é importante um trabalho focado na autoestima e autoconfiança segundo a neuropsicóloga.

“Em casos mais graves, o tratamento medicamentoso também pode ser indicado, através do uso de anti-depressivos ou anti-psicóticos (em pequenas doses); e recorrendo ao uso de vitamina B que reduz a vontade de roer as unhas devido ao aumento de serotonina a nível cerebral”, informa.

Terapia Cognitivo Comportamental pode ajudar

Podem ser utilizadas técnicas como:

-Treino de reversão do hábito ou Técnicas de alteração de comportamento – com o objetivo de ajudar a se desabituar do hábito de roer as unhas e, possivelmente, substituí-lo por outro mais construtivo;

-Técnicas de controle do estímulo – identificando e eliminando os estímulos que, frequentemente, levam à vontade de roer as unhas;

-Técnicas aversivas – através de métodos que levam a um desconforto quando do comportamento compulsivo (por exemplo, recurso a vernizes com sabor desagradável, que funcionam bem com as crianças) ou pedindo a familiares ou amigos que avisem quando o indivíduo está a repetir o ato.


Na infância, o que fazer?

roer unhas crianças

Quando o hábito de roer unhas aparece na infância é necessário os pais darem a devida importância, estarem atentos desde o início deste comportamento.

“Quanto antes se iniciar a intervenção, mais chances de eliminar este hábito. Deve-se procurar um psicólogo infantil. O tratamento deve ser direcionado para descobrir o que leva a criança a roer unhas, como ansiedade, tédio, estresse, imitação ou outro problema. Não adianta obrigar a criança a parar, colocar pimenta ou qualquer outra substância se a causa do comportamento não for investigada”, finaliza a neuropsicóloga.


Um perigo para a saúde

roer unhas 2

Roer unhas pode parecer uma mania inofensiva, que afeta apenas a estética das mãos. Pois saiba que este ato, além de causar danos às unhas e às cutículas, pode trazer diversos prejuízos à saúde como disfunção temporomandibular e problemas dentários, sem contar que levar a mão à boca constantemente acaba abrindo porta para contaminações por vírus e bactérias, podendo causar infecções.

Tem gente que também arranca cutículas ou a pele ao redor das unhas com os dentes, causando uma situação clínica conhecida como paroníquia crônica que caracteriza-se por vermelhidão, inchaço e infecção ao redor dos dedos. A paroníquia crônica  pode prejudicar o crescimento saudável das unhas, tornando a aparência das mãos esteticamente questionável.

E o perigo é ainda maior se, além de roer, a pessoa engole as unhas. Quem faz isso pode apresentar pequenas lesões no estômago ou no intestino e ainda há o risco das bactérias causarem infecções na garganta e estômago.

Eliana Silva

Jornalista Responsável em Jornal Domingo
Formada em Jornalismo pela Univás (Universidade do Vale do Sapucaí) e pós-graduada em Gestão da Comunicação Empresarial pela FAI (Centro Superior em Gestão, Tecnologia e Educação).
Eliana Silva

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *