sexta-feira, setembro 20

Mulher

E assim, tivemos mais um dia das Mulheres.

Choveu mensagens no face, no WhatsApp, na televisão, no jornal.

Palavras e mais palavras para descrever a mulher moderna, contemporânea de hoje.

Assunto principal: mulher atual.

E assim… Com meus 60 e tantos anos… Penso…

Só de termos um dia estamos sofrendo preconceito.

Um dia para quê?

O que ganhamos com este dia?

– Uma rosa e mensagens?

Queremos que todos saibam que gostamos de carinho, mas… Sabemos dar este carinho? Ou precisamos de uma intenção?

Se necessitamos de uma intenção então… Não sabemos amar.

Não sabendo amar, o que queremos do outro?

A mulher de hoje é atarefada, mas… Seca, bruta, sem feminilidade.

A mulher de hoje é independente, mas… Calcula, subtrai, divide.

A mulher de hoje é… Triste.

A mulher de hoje é… Sozinha.

A mulher de hoje… Não sabe amar.

Sinto-a tão dividida que não é inteira… Nunca.

Possui carreira vitoriosa, bom emprego, mas… É vazia de sabedoria.

Sabedoria são as flores e frutos que vamos colhendo em nosso caminhar.

Tudo para ela é tão automático que só a cabeça funciona. E o coração? Apenas exerce a função de bombear sangue para o corpo.

Sou de uma geração em que a mulher realmente tinha três períodos de trabalho. Era ela que, através de seu carinho e atenção, conseguia formar uma família, quando se podia ver e sentir o respeito aos mais velhos, a sabedoria do saber esperar, a delicadeza do saber tratar.

Tudo vinha de casa. Do lugar chamado LAR.

A própria sonoridade da palavra LAR remetia a um lugar que se aninhava, acolhia, aquietava e onde encontrávamos a MULHER.

Casa… Hoje… É lugar de briga, de indiferença, de ressentimento, do não querer envolver, do distanciar.

Mas é culpa das mulheres?

Não!!!!!! É culpa da vontade de ser igual, que diminuiu, que tirou, que reduziu.

Quis tanto ser igual ao homem que se esqueceu MULHER.

Quis tanto ter um trabalho que se esqueceu MULHER.

Quis tanto uma profissão que se esqueceu MULHER.

E esquecendo-se tornou-se menor.

E esquecendo-se tornou-se pior.

São estampas… São sonhos…

Não mais agregam, não mais acolhem, não mais choram, não mais abrem os braços e abraçam, não mais aconchegam.

Antes não precisávamos de nada, apenas… Abraçar, beijar, acarinhar, ensinar, exemplar.

Vários pedaços de nós deixamos arrancar na luta constante para ser igual ao homem.

Esvaziamos nossas mãos de carinhos.

Esvaziamos nossos braços de abraços.

Esvaziamos nossos olhos de compaixão.

Esvaziamos nossos corações de amor.

Triste? Sim.

Esvaziamos nosso ser de nós mesmos.

Estamos ganhando? Não. Estamos sempre perdendo.

Beijos cheios de carinho e até mais.

Eliana Miranda

Coluna Papo de Domingo em JornalDomingo.com.br
Pedagoga. E-mail: elianamicarva@yahoo.com.br
Eliana Miranda

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