sábado, agosto 24

Assim não dá canja Bolsonaro

O Presidente Jair Bolsonaro compartilhou via whats app, no dia 17/05, um texto em que o autor afirmava o Brasil como um “país ingovernável fora dos conchavos”, para justificar o travamento das propostas do Presidente no Congresso Nacional. Mas será que é só isso que trava Bolsonaro?

Sem dúvida os conchavos, caracterizados pela negociação em que o governo fornece cargos ou verbas a um determinado parlamentar, em troca do seu voto a favor de uma proposta do Presidente, são os responsáveis por uma administração pública corrupta, ineficiente e imoral, conforme comprovam os fatos históricos mais recentes, escancarados pela Operação Lava-Jato. Contudo, para se governar é imprescindível uma agenda política, o que Bolsonaro não tem.

A agenda política representa o conjunto de propostas que o Presidente tem para o país e o cronograma de como irá aplicá-las. O que dá força a essa agenda é o processo eleitoral, em que o candidato sai anunciando as suas propostas e é eleito por elas, bem como, a eleição de Deputados e Senadores que sejam defensores dessas mesmas propostas no Congresso Nacional.

Com essa força política após o pleito eleitoral, basta então o planejamento do Presidente e a mobilização dos Deputados e Senadores para que as propostas sejam aprovadas dentro dos 4 anos de governo.

Acontece que Bolsonaro não foi eleito como um defensor de uma agenda política, mas sim em torno do sentimento do antipetismo, que o candidato representou com alta eficiência durante a campanha e, os Deputados e Senadores que o apoiaram, traziam, por sua vez, mensagens difusas: liberais, conservadores, militares, punitivistas, religiosos, olavistas e até mesmo os puramente antipetistas.

Assim, com um Presidente desprovido de uma agenda política clara, com ministros independentes cada qual em sua área, com Deputados e Senadores de pensamentos diversos, não há a coesão necessária para a aprovação de propostas; como diria a famosa expressão popular “não dá canja”.

Enquanto o governo não admitir esse status quo, procurar elaborar uma agenda política coerente e mobilizar o seu núcleo de apoio no Congresso Nacional para se unirem em torno dessa agenda, o que se verá será o mais do mesmo desses últimos 5 meses: medidas incoerentes (corte na educação somada à liberação do porte de armas), decretos inconsistentes (risco de não serem aplicáveis por vício de constitucionalidade), recuos do Presidente e, por fim, o travamento na importante deliberação pela reforma da previdência no Congresso Nacional.

Igor Prado

Coluna Sem Cerimônia em JornalDomingo.com.br
Estudante de direito na Faculdade de Direito do Sul de Minas — FDSM. Líder político jovem, ativista por uma democracia mais justa ao país l E-mail: igorpradotavaresmg@gmail.com l Redes sociais: @igorpradomg
Igor Prado

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