sábado, agosto 24

Você é ou será um inútil?

Não, a pergunta não é retórica. Pesquisas recentes – inclusive uma foi publicada em periódico de grande circulação – apontam que está surgindo uma nova categoria de pessoas: as inúteis. A evolução tecnológica está provocando uma mudança de paradigma tão grande que muitas profissões estão acabando e muitas outras estão aparecendo e nessa movimentação maluca muitas pessoas ficam de fora.

Mas não fica só nisso. Além de inútil, esse contingente simplesmente não será empregável. Muitas pessoas não querem, não irão ou simplesmente não têm condições de se adaptar às novas tecnologias e isso fará com que, por mais experiência que tenham, as empresas não terão motivo para contratá-las. Concomitantemente, o governo também não, pois ele já está muito defasado e qualquer mínima evolução que ocorra nos serviços públicos ocasionará a disponibilidade de um número grande de servidores.

Para evitar a vadiagem ou a loucura, quem não conseguir se reinserir no mercado de trabalho deverá buscar algum tipo de ocupação para agregar valor à sociedade – seja por meio das artes, de atividades esportivas, desenvolvendo algum “hobby” ou até mesmo fazendo caridade. Pode inventar alguma atividade bem peculiar e, seja qual for, poderá muito bem ser remunerada, porém não necessariamente.

O que não pode acontecer é culpar outra pessoa, instituição ou até mesmo o governo pelo que já está acontecendo: se você deseja continuar no mercado de trabalho, então trate de se adaptar. Caso contrário será atropelado pela inovação, que passou a ser constante a ponto de a disrupção ser regra e não exceção. Então nem pense em justificar sua saída do mercado apontando o dedo para quem quer que seja.

Por outro lado, você pode ser ou se tornar um inútil por escolha também. Além disso, é perfeitamente possível optar por um estilo de vida diferente. Vemos a todo momento relatos de pessoas que se cansaram do frenesi empresarial e acabaram montando uma pousada no interior em busca de uma vida mais tranquila.

Um outra variável dessa equação maluca é uma coisa que deve entrar em pauta nas discussões entre governo e sociedade: seria economicamente viável garantir renda mínima básica a todo esse contingente? E além disso, será que é conveniente? Nós brasileiros sabemos muito bem o que acontece quando envolvemos o estado em questões como essa: corrupção, corrupção e mais corrupção. No entanto, devemos reconhecer que parte do contingente de inúteis não vai se adaptar nem que queira e por mais que se esforce. A mudança é tão absurda que muitas pessoas já estão com  dificuldade até mesmo de entender como as coisas funcionam hoje, que dirá daqui pra frente.

Então vamos todos “botar as barbas de molho”: o futuro chegou.

Leandro Alkmim Teixeira

Coluna Cidadania em Movimento em JornalDomingo.com.br
Engenheiro eletricista | E-mail: leandro.alkmim@yahoo.com
Leandro Alkmim Teixeira

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