segunda-feira, outubro 21

O que tem a Rússia?

Circulou na última semana a notícia de que integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) mandou uma delegação à Rússia fazer sabe-se lá o quê. O fato foi noticiado pela própria imprensa russa e pela nossa também, como por exemplo a página “O Antagonista”. Pois bem.

O que chama a atenção em primeiríssimo lugar é a subserviência aos russos. O brasileiro é muito acostumado a falar de “imperialismo americano” mas anda se esquecendo de como é a filosofia de relações exteriores da Rússia: um  país que devasta toda terra por onde passa. Com todo o respeito ao povo russo, com toda a admiração à capacidade do país de se destacar nos ramos militar e aeroespacial, nas ciências e nas artes, convenhamos: o governo russo é absolutamente brutal. Arrasam tudo o que puderem sem misericórdia. E fazem sim de propósito, e por uma razão específica: o Tratado de Versailles.

É um tratado de paz que pactua a aliança ocidental e formaliza a nossa união, sendo portanto impossível (em termos jurídicos, pelo menos) um país ocidental declarar guerra a outro. O ponto em questão é que a Rússia não é parte desse tratado, por isso tem uma liberdade extra para tomar decisões independentes – e temos visto que faz uso dela.

Já a China é parte do tratado. Podemos ver as diferenças na atitudes dos dois países. A China também é um país poderoso, mas vem buscando sua influência nos campos econômico e tecnológico, com produtos que vão de sapatinhos a automóveis – o que, curiosamente, não é o caso russo. Não se compra um único produto russo no Brasil. Já produtos chineses, nem se fala. Tudo é chinês.

Portanto, o que se pode inferir (pelo que vemos, na prática) é que o interesse russo não é por desenvolver qualquer coisa, parceria ou empresa que tenha por objetivo o mútuo benefício. Pelo contrário, a mensagem é muito clara: interessa a jogatina política, interessa subjugar outros países (como na era da chamada “cortina de ferro”), interessa a imposição: ditadura, por falta de melhor palavra. Isso é fácil de constatar, são muitos os exemplos. Foi a Boeing que procurou a Embraer e não algum fabricante russo como MiG ou Tupolev. São fabricantes como GM, Ford, Toyota e Fiat que mantêm imensas unidades aqui, nenhuma unidade Lada – mesmo os chineses estão com fábricas enormes aqui, como a Chery ou ali na BR 381, a XCMG. Isso sem contar os inúmeros fabricantes de eletrônicos como a FoxConn e Lenovo, que produzem alto valor agregado, e mais empresas estão a caminho – inclusive para construir uma ferrovia ligando Pacífico e Atlântico pelo Brasil.

Vamos deixar claro que o nosso é um país plural onde todos são sempre bem-vindos. Mas não podemos deixar de notar que toda a admiração pela Rússia vai por água abaixo quando voltamos nossos olhos para sua atuação política na América do Sul, trazendo o que há de pior para o continente, como os exemplos surrados de Venezuela e Cuba.

Leandro Alkmim Teixeira

Coluna Cidadania em Movimento em JornalDomingo.com.br
Engenheiro eletricista | E-mail: leandro.alkmim@yahoo.com
Leandro Alkmim Teixeira

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