sábado, agosto 24

O papel da militância política no mundo digital

A democracia representativa, que é o regime político por meio do qual nós brasileiros expressamos o nosso papel como cidadão, surge da ideia de atuarmos em sociedade por meio daqueles que elegemos no período eleitoral, fiscalizando e exigindo dos nossos Vereadores, Deputados, Senadores, Prefeito, Governador e Presidente.

A militância política surge, por sua vez, quando há a inércia daqueles que elegemos, ou seja, quando os políticos eleitos não atuam em favor da população, torna-se necessário uma mobilização dos cidadãos que, então, formam coletivos capazes de pressionar aqueles eleitos a sair do seu sossego para corresponder com a vontade popular.

Ocorre que a militância política tem sido muitas vezes ao longo da história um instrumento de manipulação. A explicação para isso é simples, quando se tem um grande número de indivíduos desinformados e com baixíssima crítica, junto com lideranças ardilosas, com alta capacidade de persuasão e que visam atender os seus próprios interesses, com certo imediatismo, forma-se a fórmula perfeita: massa manipulada, liderança fajuta prontamente beneficiada.

No mundo digital esse fenômeno se disseminou. A rede difusa de informações tornou mais fácil o compartilhamento de discursos fajutos, o que é perceptível ao abrir o nosso Instagram, Facebook e Whats’app; as pessoas somente repassam pra frente conteúdos políticos que acirram rivalidades e, raramente, se perguntam qual é o fundamento daquele conteúdo.

Assim, essa militância política digital, multiplica e empobrece intelectualmente o número de militantes que estão na base, que passam a ser aqueles que recusam o debate de ideias, acham todas as opiniões que contrariam às suas chatas e, por fim, optam sempre pela batalha hostil, em vez da alternativa de um debate de ideias.

Neste cenário habitual, que já se fortalece como uma nova cultura política, é que devemos dar exemplos nas atitudes mais simples, como por exemplo, nos problemas de bairro, optar por ter uma conversa fraterna com os outros moradores, antes de cobrar dos Vereadores e Prefeito, para ter uma posição política coletiva melhor construída e, portanto, mais potente.

A partir de condutas assim, incentivamos o nosso próprio cérebro a ser treinado para lidar com divergências e, na dúvida de posicionamento, a pesquisar a fundo um problema antes de tomarmos um lado. Sem contar, que ensinamos por gestos como este as nossas futuras gerações, para que elas  substituam essa militância política digital atual, por uma que seja mais construtiva.

Igor Prado

Coluna Sem Cerimônia em JornalDomingo.com.br
Estudante de direito na Faculdade de Direito do Sul de Minas — FDSM. Líder político jovem, ativista por uma democracia mais justa ao país l E-mail: igorpradotavaresmg@gmail.com l Redes sociais: @igorpradomg
Igor Prado

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