sábado, agosto 24

Caso Sérgio Moro: o mantra dos “fins justificam os meios” no mais recente terremoto político brasileiro

O site theinterceptbrasil.com trouxe à luz para sociedade conversas privadas entre o Juiz Sérgio Moro e o Procurador Deltan Dallagnol e, com elas, um terremoto político com potencial de virar de cabeça abaixo a forma como o brasileiro encara a justiça e a política do seu país.

O juiz Sérgio Moro realmente foi direto ao ponto e, à margem dos ritos processualísticos que ditam o processo judicial no Brasil, optou pelo mantra de Maquiavel “os fins justificam os meios”, sendo que agora passa a sofrer as consequências disso.

Podem dizer que “Moro jamais teria conseguido alcançar os 155 condenados na justiça e os 13 bilhões de reais recuperados da corrupção para os cofres públicos se assim não fizesse”, mas, em casos de grande repercussão, qualquer falha pode ser fatal.

No direito mais ainda, já que um vício processual pode anular e reiniciar todo o processo judicial, mesmo que as provas sejam contundentes em apontar o acusado como um criminoso. Pois é, como parece se encaminhar o caso atual, políticos corruptos, empresários promíscuos e burocratas sujos segurarão os vazamentos das conversas divulgadas pelo Intercept como se atestado de inocência fossem, mesmo não sendo. Na verdade, o que as conversas mostram é uma falha que o juiz Sérgio Moro cometeu, que acaba por ameaçar a Operação que desmascarou tanto podre que aconteceu no país nesses últimos anos.

O lulismo cego, por sua vez, que ignora indícios robustos de que o ex presidente tenha cometido crime como o evidente caso do sítio de Atibaia em que, apesar de estar no nome de um laranja, era Lula quem usufruía do local que foi reformado por uma construtora de peso nacional em troca de favorecimento político, solta foguetes neste cenário, por regozijar a possível soltura daquele que foi um ótimo Presidente ao seu olhar.

Sem perceber a hipocrisia na comemoração, ignoram o fato de que Lula fez seus “grandes feitos” no ritmo do mesmo mantra maquiavélico que guiou Sergio Moro, “os fins justificam os meios” só que, no agir de Lula, os “meios” nos custaram um sistema político mais podre e corrupto que se enraizou tão bem, a ponto de continuamente nos assolar até hoje.

Diante das figuras políticas envolvidas, da polêmica, dos fanatismos e paixões que esse caso envolve, o que se verá nos próximos dias será, predominantemente, uma discussão pobre, falaciosa e improdutiva nas mídias, além de um risco sério às instituições.

Isso porque, se o Supremo Tribunal Federal anular e reiniciar todo o processo contra Lula não há que se falar em decisão absurda, já que se comprovada a veracidade do conteúdo das conversas, o juiz Sérgio Moro realmente terá ferido a imparcialidade do processo.

Por outro lado, o lulismo fanático irá se esforçar para empurrar a goela abaixo dos brasileiros o discurso de que o ex-presidente é vítima de todo um golpe forjado para fazer rico ser mais rico e o pobre ser mais oprimido, sendo que foi por isso que prenderam “Lula o pai dos pobres”. Considerando o baixo nível da massa política crítica no Brasil, é um discurso que, sem dúvida, ficará fortalecido.

Por fim, o que se vê é muito fogo e gasolina, pra pouca lucidez e solidez democrática, em mais um risco que o Brasil passa de se convulsionar por inteiro, ao ponto de destruirmos o mínimo de ordem e direito que resta ao nosso povo.

Igor Prado

Coluna Sem Cerimônia em JornalDomingo.com.br
Estudante de direito na Faculdade de Direito do Sul de Minas — FDSM. Líder político jovem, ativista por uma democracia mais justa ao país l E-mail: igorpradotavaresmg@gmail.com l Redes sociais: @igorpradomg
Igor Prado

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