quinta-feira, julho 18

O Câncer de Bexiga

Quando se fala em câncer muitas pessoas sentem o peso e a carga psicológica  dessa enfermidade. Em nosso meio os cânceres são frequentes e variados. Dento da área urológica temos diversos tipos, dentre eles o tumor de bexiga.

Sempre falo em meu consultório que a informação é o primeiro passo para o bom resultado do tratamento. Conhecer a doença, saber os sinais e sintomas e, sobretudo, entender as formas de tratamento, inclusive participando das tomadas de decisões são pontos fundamentais do sucesso terapêutico.

Inicio a discussão de uma série de doenças oncológicas dentro da urologia falando sobre o tumor de bexiga.

O câncer de bexiga é o sexto tumor maligno mais diagnosticado nos homens e o décimo nono nas mulheres. Estima-se cerca de 430.000 novos casos por ano no mundo. Há uma predominância pelo sexo masculino, porem mulheres são diagnosticadas com tumores mais avançados e apresentam maiores taxas de recorrência e falha de tratamento. Para 2019, no Brasil, estima-se mais de 10.000 novos casos de câncer de bexiga. No ano de 2018 ocorreram, no Brasil mais de 4.000 óbitos devido ao tumor de bexiga.

A incidência do câncer aumenta com a idade, tendo seu pico entre 50 e 70 anos. Apesar de mais prevalente em brancos, a mortalidade em afrodescendentes é maior.

Tabagistas têm cerca de 2 a 4 vezes maior risco de câncer de bexiga do que não fumantes e essa associação esta relacionada à intensidade do tabagismo. Outros fatores como cálculos vesicais, cateter vesical permanente (sondas vesicais), infecções urinarias de repetição também estão relacionados a outros subtipos do tumor vesical. Trabalhadores em indústrias de tinta, borracha e petróleo estão sob risco aumentado.  Apresentando importante risco ocupacional.

A principal forma de apresentação do câncer de bexiga é a hematúria ( urina com sangue). Em alguns casos, sintomas irritativos podem estar presentes como aumento da frequência (aumento das idas ao banheiro) e urgência miccional (necessidade abrupta de urinar). Geralmente o crescimento é silencioso, ocasionando dor somente em fases avançadas da doença.

O diagnóstico é feito por história clínica cuidadosa e criteriosa, levando em consideração hábitos como tabagismo e exposição a substâncias químicas – exame clínico, laboratorial e de imagens. Sendo o pilar principal para o diagnóstico a Cistoscopia (Endoscopia da Bexiga).

O tratamento depende do estadiamento da lesão, podendo ser desde procedimentos endoscópicos simples, associação de procedimentos endoscópicos com quimioterapia ou imunoterapia intravesical (BCG) até tratamentos mais agressivos como a retirada total da bexiga.

A medicina preventiva ainda é a melhor arma que temos contra os tumores. Hábitos saudáveis, boa alimentação, prática de exercícios físicos são de suma importância. A interrupção do tabagismo se traduz em uma redução no risco dos tumores de bexiga, assim como o cuidado com o contato com agentes químicos sabidamente responsáveis pelos tumores vesicais.

A dica fica para, se apresentar qualquer tipo de sangramento na urina, procure seu urologista. Lembre-se, a descoberta e tratamento precoces são os principais responsáveis pelo bom resultado no tratamento.

 

Ricardo Vinicius Carvalho Teixeira

Por dentro da Urologia em JornalDomingo.com.br
Médico especialista em Urologia l E-mail: ricardo@civiale.com.br
Ricardo Vinicius Carvalho Teixeira

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