sábado, agosto 24

Dos interesses de clã aos interesses de Estado

Foi o tempo em que, na história, sociedades inteiras eram regidas por um único grupo familiar, denominado clã, que sob a justificativa de divindade do seu sangue ou, ainda, de superioridade da sua raça, se colocava na condição de comandar o destino de milhares. Estes clãs, via de regra, colocavam o interesse da família em primeiro plano, para somente depois debater o que seria bom para a sociedade.

Os clãs teoricamente se dissolveram junto com a queda do Estado absolutista,  marcada pela Revolução Francesa em 1789, que arrancou os poderes que estavam concentrados nas mãos do rei para passar à sociedade civil, visando evitar que interesses tão primitivos como os de grupos familiares, se sobrepusessem a um interesse coletivo de liberdade, igualdade e fraternidade.

Cá estamos nós, em 2019, exatos 230 anos após a Revolução Francesa, acompanhando na democracia brasileira a visão de clã do líder do nosso país, o Presidente Jair Bolsonaro, que decide temas como o de quais ministros serão exonerados ou de como o Brasil se relacionará oficialmente com os Estados Unidos na mesa de jantar, em conversa com os seus filhos Carlos e Eduardo, à revelia dos maiores nomes da sociedade brasileira.

A busca por soluções complexas dos problemas do Brasil em seu núcleo familiar, não deve ser motivo de aplausos a Bolsonaro pelo alto grau de confiança que tem em seus filhos, mas sim de indignação, por ver o Presidente eleito pela nação simplesmente ignorar as vozes talentosas e esforçadas que nela existem, para indicar, por exemplo, com toda a prepotência, o seu filho a uma das embaixadas mais complexas do mundo, como é a dos Estados Unidos.

O Senado, por sua vez, que é a única instância capaz de rejeitar essa indicação, dá sinais de que irá “negociar” a aprovação de Eduardo Bolsonaro à embaixada norte-americana, já que para conceder um favor ao clã do presidente, imagina que deva receber alguma benesse em troca.

São nesses momentos que a sociedade precisa se dar ao respeito e entrar no debate, provando o seu valor e não admitindo absurdos, para que seja mais ouvida, principalmente pelos deputados e senadores eleitos e, assim, frear o ímpeto daqueles que têm em mãos grandes poderes. Até mesmo porque, não existe um salvo conduto de 4 anos, muito menos, salvo conduto para que os clãs retornem e substituam o nosso povo no comando da democracia.

Igor Prado

Coluna Sem Cerimônia em JornalDomingo.com.br
Estudante de direito na Faculdade de Direito do Sul de Minas — FDSM. Líder político jovem, ativista por uma democracia mais justa ao país l E-mail: igorpradotavaresmg@gmail.com l Redes sociais: @igorpradomg
Igor Prado

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