sexta-feira, novembro 22

26 = on cê vai ???

(História do Cotidiano – Reminiscências)

A maioria das minhas ‘histórias’ -ao serem por mim trabalhadas- começam com:

‘CERTO DIA’…

Longe de parecer que eu esteja negligenciando minha criatividade, se bem analisarmos, vamos notar que tudo em nossa vida, começa ou ocorre em um ‘Certo Dia’… e assim, quando expurgamos nossas mentes, purificando-as como se ouro fossem ao fundo de uma bateia, podemos notar que em um ‘Certo Dia’ nos ficou marcado algo que valha a pena recordar e -com este algo em meus objetivos- procuro criar situações que nos levem ao deleite dos meus fiéis leitores, cientificamente desopilando nossas mentes…

Então, corroborando minha explicação acima:

CERTO DIA… do mês de julho de 2001, meu ‘inesquecível’ cunhado Luis Carlos Cavalcanti Reis, por mim carinhosamente chamado de ‘Juca’, prematuramente aos seus sessenta e seis anos, fez a inevitável caminhada sem volta, caminho este que para nós que aqui ficamos, servirá de trilho com a firme esperança e propósito de nos guiar ao reencontro com todos aqueles nossos queridos que já se foram!

Indiscutivelmente, éramos grandes amigos… Ao nosso laço de amizade, se somava o fato de viver magistralmente, respeitosa e enamoradamente com minha irmã Celeste, por longos e felizes quarenta anos.

Adorava uma viagem… e por esta razão, era meu fiel companheiro na grande maioria dos ‘vai-e-vem’ a negócios por essas quantas estradas afora.

Nos divertíamos pelas ‘relembranças dos infindáveis causos’ que tínhamos a magia de transportá-los para o presente, transformando as viagens em momentos prazerosos e descontraídos…

E, foi em uma dessas oportunidades que Luiz Carlos (Juca) me contou uma história que lhe chegou contada por Leitinho -nosso amigo em comum- por ocasião de uma longa viagem que juntos fizeram pelo nordeste a fora, com o objetivo de vender batatas produzidas na região de Ipuiuna pois, Luiz Carlos era proprietário de uma empresa lavadora e revendedora de batatas e -consequentemente- tinha grande interesse em colocar seu produto, já que naquela região o consumo daquele tubérculo era bastante significativo.

Leitinho contou-lhe então que em uma de suas andanças a negócios pelo estado do Paraná -época que por lá vivia- na pequena e aparentada cidade de Rosana, quase às margens do Rio Paraná, havia um rapaz chamado de Carlos Alberto, intimamente tratado por Cacá, cujo irmão mais novo -Dudu- não era assim muito normal, ou seja -no linguaja popular- era que meio ‘tantã da cabeça’!

“Certo dia, Carlos Alberto (Cacá) estava se arrumando para sair com a namorada Ana Beatriz e -como não poderia ser diferente- conhecida por Bia, quando seu irmão ‘tantã’ se aproxima e lhe pergunta:

– On cê vai?

Cacá atenciosamente responde ao seu irmão:
– Vou buscar minha namorada e vamos sair para nos divertir um pouco… Por quê?
– Vô co cê! Diz seu irmão ‘tantã’!
– Não vai comigo, não! Isto não é programa para você… Disse Cacá!
Mas, a mãe, que morria de amores e zelo pelo filho mais novo, categórica e imediatamente disse:

– Vai levar o seu irmão sim senhor!… e continuou:

– Ele não tem culpa de ser diferente de nós e precisa de toda atenção que pudermos dispensar-lhe!
O irmão -meio que a contra gosto- levou-o a ‘tira colo’ para o encontro.
Chegando lá, se acomodaram na sala de visitas e -conversa vai, conversa vem- ele começa a ‘bicotar’ a namorada, quando o irmãozinho diz:

– Qué tamém!
– Quer o quê? Beijá-la?!?! Nem pensar… Nem que a vaca tussa!… Diz o irmão.
E a moça, com peninha do irmãozinho de Cacá, diz:

– Não tem problema amor, é só um beijinho… coitadinho dele, ele é doente!
Então Dudu -o louquinho- lasca um beijo na namorada do irmão.
No outro dia, quando Cacá se aprontava para sair, como o fazia todas as noites, seu irmão novamente lhe pergunta:
– On cê vai?
– Vou sair… Vou dar uma volta com minha namorada…
– Vô co cê!!!
– Nã, nã, não… hoje não!! Você saiu ontem comigo e cheee-ga!!!
Uma vez mais, a mãe intervindo em benefício do filho ‘tantã’, mais calma, diz:

– Ah, meu filho, leve seu irmão… coitadinho, ele é doente… faça esta caridade! Não lhe custa nada!
Então o irmão -impaciente, contrariado e sem outro recurso- o leva para sair novamente.

Já como de costume acomodados na sala de visitas, após conversa vai… conversa vem, mais que a vontade, o irmão ‘tantã’ vê que seu irmão Cacá está -disfarçadamente- acariciando os seios da namorada Bia.

E, foi então logo dizendo:
– Qué fazê isso tamém!!!
– Nem pensar! Não, não e não! Acabou o papo… eu não o aguento mais… cheee-ga!!!
Mas agora, com a intervenção da namorada que -uma vez mais- com pena do ‘coitadinho’ do Dudu, diz ao namorado:

– Só um pouquinho, meu bem… ele é doentinho… tenha peninha dele… não custa nada… eu não me importo!
E o ‘tantã’ já meio que louco, mete as mãos nos seios da namorada do seu irmão Cacá!
Chega no outro dia -já enfurecido, com seu controle emocional a zero, meio escondido- Cacá se arruma para novamente sair com a namorada, quando:

– On cê vai?… pergunta-lhe o irmão ‘tantã’.
E o rapaz naquele momento, já de saco-cheio e desesperado, no ápice de sua intolerância, exaurindo sua capacidade de deglutir esta interminável história do seu irmãozinho, como uma fera, mostrando seus dentes e com os olhos arregalados, impetuosamente lhe responde:

– Vou dar a b…..!

Dudu, com cara de anjinho com asa quebrada, prontamente lhe diz:
– Demora não, tá?!”

Terminada a história, Luiz Carlos, não se contendo -literalmente- chorava de rir, e eu, tão pouco me contive, sendo obrigado a estacionar o carro no acostamento até voltar a ter condições de seguir dirigindo!!!

Celso Gama

Coluna Humor no Domingo em JornalDomingo.com.br
Adm. de Empresas | E-mail: cgamajr@gmail.com
Celso Gama

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