segunda-feira, agosto 19

Prof. Dr. Rodrigo Fonseca

Pare. Silencie. Escute.

Pare. Silencie. Escute.

Colunas, Colunistas, Prof. Dr. Rodrigo Fonseca
Feche os olhos por um momento. O que você ouve? Mais: o que você escuta? Quando estamos privados de um dos cinco sentidos, os outros se mostram mais apurados. Ouvimos sons o dia todo, mas pouco escutamos. O que cada som diz? Ouvimos pessoas o dia todo, mas pouco escutamos. O que cada pessoa diz? A escuta é uma arte. Às vezes falar dói, porque faz com que toquemos em assuntos que preferimos deixar sepultados. Às vezes escutar também dói: para escutar, é preciso se fazer vulnerável para ser tocado pela palavra (ou não palavra) do outro. Escutar é difícil porque exige silenciar. E, em meio à agitação do dia-a-dia, este é um desafio. Não paramos para escutar sequer os sinais do nosso corpo – por exemplo, uma dor de cabeça que é gerada pelo stress e nos diz para desacelerar nossa rotina. Ins
Falar está perigoso, calar se tornou tóxico

Falar está perigoso, calar se tornou tóxico

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Somos inundados por informações a todo instante e a velocidade com que elas surgem cresce na mesma proporção em que aumenta a dificuldade de se separar verdade e fake news. Em grande parte, essa capacidade de pulverização das informações tem a ver com o volume excepcional de pessoas que dedicam seu tempo à vida virtual nas plataformas de redes sociais online. Não é loucura afirmar que atualmente as notícias têm efeitos bem mais profundos em nossa vida psíquica do que em outras décadas. No Brasil, a intensidade desses efeitos se destaca sobretudo no cenário sócio-político. As informações circulam  permeadas de violência e perversidade e, assim, têm produzido gradativamente  um nível tóxico de sofrimento psíquico que até pode passar imperceptível aos nossos olhos, mas se evidencia e
Um cemitério virtual chamado Facebook. Você conhece?

Um cemitério virtual chamado Facebook. Você conhece?

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No final do século XIX, com a criação do cinema, as pessoas se assustaram com a possível eternização dos mortos. Isso porque, naquela época, as pessoas viviam poucos anos e indivíduos filmados e, posteriormente falecidos, acabavam tendo seus filmes exibidos para outras pessoas. Parte do público se assustava ao ver, em movimento, imagens das pessoas falecidas, já que, na época, eram comuns apenas imagens estáticas, isto é, as fotografias e a arte dos pintores que faziam réplicas da realidade. Naquele tempo, imagens em movimento eram consideradas "coisa do demônio", pois as pessoas ainda não compreendiam a evolução da ciência que havia culminado naquela nova forma de registro da realidade. Cem anos depois, na virada do século XX para o século XXI, outro "fenômeno" de eternização dos morto
A vida só vale a pena nos finais de semana?

A vida só vale a pena nos finais de semana?

Colunas, Prof. Dr. Rodrigo Fonseca
De certa forma, tentamos contar e dominar ilusoriamente o tempo conforme a urgência dos nossos compromissos. Se há algo prazeroso a ser vivido, queremos que o tempo corra a nosso favor. Mas se há algo ruim, desagradável ou mesmo extremamente difícil para ser resolvido, o ideal seria que o tempo parasse. Assim é organizada a rotina. Planejamos as tarefas, priorizamos suas importâncias e buscamos espaços nas agendas para que tudo possa se encaixar conforme o planejado. O dia a dia funciona como uma banda de música: os instrumentos precisam estar afinados para que a música possa ser tocada com ritmo e harmonia e, principalmente, para que as pessoas possam, ao final da canção, aplaudir o espetáculo. Nas contas do nosso calendário, os dias funcionam como chances que o tempo nos oferece de tra
8 de Março: um olhar para além do comércio e da publicidade

8 de Março: um olhar para além do comércio e da publicidade

Colunistas, Prof. Dr. Rodrigo Fonseca
É certo que o comércio e a publicidade exploram a favor de si mesmos a celebração do dia 8 de março. Mas é preciso lembrar também que, diferentemente do dia do homem e do dia dos pais, o dia da mulher não tem origem mercadológica. É herança de uma luta antiga das mulheres, quando elas já provavam que o termo ‘sexo frágil’ não as representa. O fato de uma mulher ter sido a única pessoa a se dedicar ao salvamento do motorista do caminhão atingido pelo helicóptero em que estava o jornalista Ricardo Boechat, enquanto alguns homens que também chegaram à região do acidente assistiam e filmavam o ato heroico dela, só confirma que as mulheres são o esteio da sociedade. E é por darmos de ombros ao que elas falam, por menosprezarmos o que elas fazem, por duvidarmos do que elas são capazes de f