quarta-feira, dezembro 11

Igor Prado

A Educação Cidadã

A Educação Cidadã

Colunas, Colunistas, Igor Prado
Segundo o filósofo Sócrates, ao iniciarmos um estudo ou uma discussão, sobre qualquer tema que seja, devemos antes mentalizar uma frase que nos traz uma humildade intelectual, sem a qual não é possível alcançar pensamentos mais profundos: “Só sei que nada sei”. Porque não importa o quanto estudemos, o máximo que poderemos saber é muito sobre pouco ou, ainda, pouco sobre muito, sendo que nunca seremos capazes de sabermos tudo sobre tudo. Essa humildade, ao mesmo tempo que faz de nós seres curiosos, nos leva a ter que elencar prioridades sobre quais campos do conhecimento é preciso compreender primeiro, o que no Brasil é responsabilidade – além da família - dos políticos que nos governam, pois são eles que definem o currículo escolar das crianças e jovens do país. Acontece que na prática h
O governo reagiu bem à crise na Amazônia?

O governo reagiu bem à crise na Amazônia?

Colunas, Colunistas, Igor Prado
O Deputado Federal por Minas Gerais Tiago Mitraud (NOVO) foi preciso ao falar dos dois dados divulgados a respeito da Amazônia pelos principais campos da batalha política, enquanto a oposição destacou que as queimadas de 2019 são as maiores da década, o governo enfatizou que a média dos focos de incêndio deste ano (janeiro-agosto) é menor que a média obtida nos últimos quinze anos. Para esse conflito de posições, argumentou o deputado mineiro: “A escolha sobre qual dado alardear depende de qual narrativa se deseja contar e não da busca pela solução do problema”. Pois bem, então como buscar a solução do problema? Existem duas frentes de trabalho: a primeira no plano interno, em que o governo deve buscar estabelecer um plano de ações em conjunto com os atores diretamente relacionados às que
Os dentes de Feliciano e o falso heroísmo parlamentar

Os dentes de Feliciano e o falso heroísmo parlamentar

Colunas, Colunistas, Igor Prado
Não há que se contestar o avanço dado em 1988 quando o Brasil promulgou a atual Constituição Federal, que instituiu um modelo democrático de Estado no país e deu maior abertura às vozes da sociedade. Por cessar um regime militar autoritário, a Constituição garantiu então um poder maior aos parlamentares, já que são estes que, por receberem a maior quantidade de votos nas eleições, ficam responsáveis por defender as bandeiras do eleitor nos 4 anos de mandato. Acontece que houve, certamente pelo contexto histórico que marcou a criação da Constituição Federal, uma supervalorização do parlamentar. Não é porque teve mais votos na urna que não deve consultar a população durante o mandato, e não é porque conquistou o direito de representar o povo que se pode pegar 157 mil reais do contribuinte
Dos interesses de clã aos interesses de Estado

Dos interesses de clã aos interesses de Estado

Colunas, Colunistas, Igor Prado
Foi o tempo em que, na história, sociedades inteiras eram regidas por um único grupo familiar, denominado clã, que sob a justificativa de divindade do seu sangue ou, ainda, de superioridade da sua raça, se colocava na condição de comandar o destino de milhares. Estes clãs, via de regra, colocavam o interesse da família em primeiro plano, para somente depois debater o que seria bom para a sociedade. Os clãs teoricamente se dissolveram junto com a queda do Estado absolutista,  marcada pela Revolução Francesa em 1789, que arrancou os poderes que estavam concentrados nas mãos do rei para passar à sociedade civil, visando evitar que interesses tão primitivos como os de grupos familiares, se sobrepusessem a um interesse coletivo de liberdade, igualdade e fraternidade. Cá estamos nós, em 2019,
O papel da militância política no mundo digital

O papel da militância política no mundo digital

Colunas, Colunistas, Igor Prado
A democracia representativa, que é o regime político por meio do qual nós brasileiros expressamos o nosso papel como cidadão, surge da ideia de atuarmos em sociedade por meio daqueles que elegemos no período eleitoral, fiscalizando e exigindo dos nossos Vereadores, Deputados, Senadores, Prefeito, Governador e Presidente. A militância política surge, por sua vez, quando há a inércia daqueles que elegemos, ou seja, quando os políticos eleitos não atuam em favor da população, torna-se necessário uma mobilização dos cidadãos que, então, formam coletivos capazes de pressionar aqueles eleitos a sair do seu sossego para corresponder com a vontade popular. Ocorre que a militância política tem sido muitas vezes ao longo da história um instrumento de manipulação. A explicação para isso é simples,
Caso Sérgio Moro: o mantra dos “fins justificam os meios” no mais recente terremoto político brasileiro

Caso Sérgio Moro: o mantra dos “fins justificam os meios” no mais recente terremoto político brasileiro

Colunas, Colunistas, Igor Prado
O site theinterceptbrasil.com trouxe à luz para sociedade conversas privadas entre o Juiz Sérgio Moro e o Procurador Deltan Dallagnol e, com elas, um terremoto político com potencial de virar de cabeça abaixo a forma como o brasileiro encara a justiça e a política do seu país. O juiz Sérgio Moro realmente foi direto ao ponto e, à margem dos ritos processualísticos que ditam o processo judicial no Brasil, optou pelo mantra de Maquiavel “os fins justificam os meios”, sendo que agora passa a sofrer as consequências disso. Podem dizer que “Moro jamais teria conseguido alcançar os 155 condenados na justiça e os 13 bilhões de reais recuperados da corrupção para os cofres públicos se assim não fizesse”, mas, em casos de grande repercussão, qualquer falha pode ser fatal. No direito mais ainda,
O surto da privacidade a partir do caso Neymar

O surto da privacidade a partir do caso Neymar

Colunistas, Igor Prado
A privacidade, numa perspectiva histórica, nasce da separação entre o público e o privado, que delimita duas esferas de atuação do indivíduo: a íntima e a social. Enquanto na esfera social, o indivíduo atua como um cidadão - sujeito de direitos e deveres -, na esfera íntima é aquela em que o indivíduo goza da sua liberdade privada, que em seu conceito clássico, refere-se “ao direito de ser deixado só”. No entanto, nunca na história da humanidade estivemos tão confusos quanto quais são as nossas ações privadas - às quais deve ser preservado o sigilo da pessoa em não ser obrigada a expor (postar), prestar contas ou justificar o que está fazendo -, e quais são as nossas ações públicas, características da vida em comunidade, como as relações de trabalho e de convivência no espaço social. Ess
Assim não dá canja Bolsonaro

Assim não dá canja Bolsonaro

Colunistas, Igor Prado
O Presidente Jair Bolsonaro compartilhou via whats app, no dia 17/05, um texto em que o autor afirmava o Brasil como um “país ingovernável fora dos conchavos”, para justificar o travamento das propostas do Presidente no Congresso Nacional. Mas será que é só isso que trava Bolsonaro? Sem dúvida os conchavos, caracterizados pela negociação em que o governo fornece cargos ou verbas a um determinado parlamentar, em troca do seu voto a favor de uma proposta do Presidente, são os responsáveis por uma administração pública corrupta, ineficiente e imoral, conforme comprovam os fatos históricos mais recentes, escancarados pela Operação Lava-Jato. Contudo, para se governar é imprescindível uma agenda política, o que Bolsonaro não tem. A agenda política representa o conjunto de propostas que o Pres
Financeiramente mal e politicamente apaixonados

Financeiramente mal e politicamente apaixonados

Colunistas, Igor Prado
Não é possível assistir as sabatinas do Ministro da Economia Paulo Guedes no Senado Federal e na Câmara dos Deputados sem concordar que financeiramente vamos mal e politicamente continuamos cegamente apaixonados. Num esforço hercúleo para apresentar a necessidade de aprovar uma reforma que seja o primeiro passo em um redesenho fiscal das contas públicas do país, Guedes enfrentou aquilo que vem sendo a tônica do Brasil nos últimos anos: demagogia e hipocrisia política. Resultado: não importa o conteúdo da fala do ministro e nem dos próprios deputados; somente importam as siglas partidárias que aquele que está defendendo uma tese carrega, se for pró-bolsonaro quem for oposição ao Presidente é contra cegamente, já caso quem esteja falando seja anti-bolsonaro, quem for a favor do Presidente
A máfia brasileira

A máfia brasileira

Colunistas, Igor Prado
“O poderoso chefão” é sem sombra de dúvidas um dos filmes mais marcantes da história do cinema. Com estrelas como Marlon Brando e Al Pacino, o filme é um retrato de como a máfia italiana exercia o seu poder, através do tráfico de armas e do controle da segurança, funcionando como a única ‘instituição’ respeitada pelos cidadãos. Em inglês o nome do filme significa “O Padrinho” — The Godfather -, pois era como todos chamavam o líder mafioso. No mundo da vida é possível ver a história de outros mafiosos, dos quais destaco Al Capone, que se aproveitou no começo do século XX da decisão do governo dos Estados Unidos em proibir a venda de bebida alcóolica, para assumir o mercado negro do produto. Como consequência, expandiu a sua máfia e igualmente passou a ter poder sobre a população, governo e